Antes de aprender a andar, o bebê aprende a cair

Descrição dPode até parecer estranho, mas sim, faz todo sentido! Entre mais ou menos seis e nove meses, antes de o bebê dar o primeiro passo sozinho, o corpo dele já começa a ensaiar o que fazer quando perde o equilíbrio. Se você inclinar o bebê, nessa idade, para frente, os braços se abrem na direção do chão, quase por conta própria. É uma reação involuntária, conhecida como reação de proteção. Ela aparece primeiro para frente, depois para os lados e, por último, para trás. Ou seja: a preparação para a queda vem antes dos primeiros passos e o corpo se organiza para o impacto antes de se arriscar. Isso não significa que existe um treino obrigatório, as reações são instintivas e acontecem dentro do contexto do desenvolvimento, porém quanto mais o bebê experimenta perder e recuperar o equilíbrio em um lugar seguro, mais refinada e mais rápida essa resposta fica. E é exatamente isso que acontece no tatame durante uma aula de baby jiu. o post.

Suzana Souza

10/2/20263 min read

Por que bebê cai tanto?

Não é falta de atenção e nem pressa. É física.

A cabeça de um bebê é maior que a de um adulto, quando comparamos a proporção do tamanho da cabeça com o corpo, o que faz com que o centro de gravidade seja nela. As pernas ainda são curtas, a base de apoio é estreita e a musculatura do tronco está em construção. No começo os braços ficam levantados na altura dos ombros quando o bebê anda, o que ajuda no equilíbrio mas pode atrapalhar na hora de apoiar no chão durante uma queda, por exemplo.

E o resultado é previsível: quem está aprendendo a andar cai muitas vezes, o que é esperado e faz parte do processo. E o princípio fundamental da lógica do baby jiu na perspectiva dos primeiros passos não é evitar a queda mas treinar o que o corpo do bebê faz durante ela.

O que acontece em uma aula de baby jiu

Nada do que você imagina quando ouve "jiu-jitsu", pode acreditar!

Não tem golpe, não tem faixa, não tem luta. Tem chão, colo, brincadeira e um adulto da família junto o tempo todo. A aula é curta, porque a atenção nessa idade tem um tempo limitado e acompanha o humor do bebê naquele dia.

O que a gente propõe são experiências de movimento com uma intenção por trás:

  • Rolar e mudar de posição. Sair da barriga para as costas, do sentado para o de quatro, do de quatro para em pé. Cada uma dessas transições é uma transferência de peso, e é nela que a criança aprende a organizar o corpo.

  • Subir e descer. Rampas, blocos, o colo do adulto. Descer é mais difícil do que subir, exige controle e noção de onde o corpo termina.

  • Perder o equilíbrio de propósito. No tatame, no ritmo do bebê, com alguém por perto.

  • Engatinhar em superfícies diferentes. Textura muda a informação que chega pelo corpo, e informação diferente gera ajuste diferente.

Nada disso tem cara de exercício. Para o bebê, é brincadeira. Mas quem está conduzindo sabe o que está sendo trabalhado em cada uma delas.

Psicomotricidade na prática

Provavelmente você já ouvir falar, mas talvez ninguém tenha explicado.

A ideia é simples: nos primeiros anos, movimento, emoção e pensamento não são coisas separadas. O bebê conhece o mundo com o corpo. Quando ele estica o braço para alcançar um brinquedo, está calculando distância. Quando ele hesita antes de descer de um degrau, está planejando o movimento e avaliando risco. Quando ele olha para você antes de tentar, está confirmando se pode seguir em frente.

Por isso a aula não é só sobre força muscular. Tem a ver com autonomia, com tolerância à frustração, com a segurança de tentar de novo depois de não dar certo. Um bebê que confia no próprio corpo explora mais, e quem explora mais aprende mais.

O impulso de segurar antes que o bebê caia é forte e é natural. Só que quando a mão do adulto chega sempre antes, o bebê não tem chance de descobrir o que ele mesmo consegue fazer. Em um colchão, com alguém por perto, deixar acontecer é parte do aprendizado.

Não estamos falando de largar a criança para ver no que dá. Estamos falando de escolher onde a proteção é necessária e onde ela está atrapalhando. É uma diferença sutil e leva algumas aulas para o adulto se acostumar. Muitas famílias chegam tensas nas primeiras vezes e depois relatam que a mudança maior foi em si.

As turmas de bebê são pequenas e a família participa junto, além do aprendizado é um momento de conexão. O baby jiu não faz o bebê andar mais cedo, e nem é esse o objetivo, mas com certeza vai contribuir - e muito para o desenvolvimento saudável!

Conheça o baby jiu na Casa Qualy, entre em contato e agende uma aula experimental!


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